terça-feira, 19 de março de 2024

Do post anterior...

 Quem me segue há muito tempo, sabe toda a minha vida, sabe que há 12 anos a empresa onde trabalhei mais de 20 anos fechou com insolvência, que entrei em depressão, que depois disso fiz de tudo um pouco, trabalhava num escritório, fui trabalhar para uma fábrica de croissants, seis meses, depois fui para um call center, para Lisboa perdendo três horas diárias de transportes públicos durante quatro anos, pedi para não me passarem a efectiva, pois queria tentar outro emprego na minha zona, dois meses depois consegui num escritório de um armazém onde estive mais quatro anos e meio, mandaram-me de novo embora, mais algum tempo em casa e consegui noutro call center desta vez nos Lusíadas onde estou a contrato que acaba em Maio. Certamente também me mandam embora com tanto tempo de baixa, não sou rica, sou pobre mas tenho já a minha casa paga, comer como com o dinheiro da parca reforma da minha mãe e com o ordenado do meu marido, mas se fosse sozinha era a mesma coisa. Quando e se a mãe falecer, um dia, certamente arranjarei outro trabalho, agora não posso é ser selectiva. Nunca estive com falta de trabalho mais de dois meses, arranjei sempre, nada como o que tinha mas ás vezes temos de ponderar tudo. Um lar custa mensalmente 1100 ou 1200 euros, ou seja eu trabalharia e não chegava, como era?  

Certo a minha mãe tem casa própria, mas há luz, agua, gás e IMI para pagar e ela só ganha 700 euros. porém, não saio de casa, não estou a comprar roupas e sapatos,  vivemos uma vida simples, mas compramos fraldas e cremes e pomadas.

Não figo que todos consigam, mas ponderem bem antes de colocarem os vossos pais num lar.

Dar tudo por um trabalho não justifica nada, trabalhos há muitos, acreditem pensem com o coração, também não consigo entender quem trabalha toda a semana e depois paga a uma mulher a dias para limpar a casa, são tudo opções, tudo uma questão de fazer contas e pensar bem. Se me despedirem o que é provável, quando a mãe falecer procurarei outro trabalho, outro call center, supermercado, limpezas, nunca ninguém me arranjou trabalho fui sempre eu pelos meus meios, sempre tive trabalhos honestos. Não sou rica, mas estou contente com esta escolha.


Acreditem em vocês, quando se fecha uma porta, abre-se uma janela...

7 comentários:

  1. Claro, entendo. De forma alguma quis por em causa a sua opção de vida.As melhoras.

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  2. Infelizmente, não é essa a minha situação. Não posso de forma alguma deixar de trabalhar, o meu contexto familiar não o permite. No caso do meu pai precisar de apoio permanente não sei o que farei e a reforma dele é baixa. Espero que esse dia venha longe.

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  3. Boa tarde.
    Isso é tudo muito bonito de se dizer, mas a realidade da maioria das pessoas não é essa. Quando se tem casa para pagar, filhos menores para cuidar e dar educação e ainda um negócio ás costas do qual a nossa família depende financeiramente, por muita vontade que possamos ter de largar tudo para nos dedicarmos a uma pessoa que precisa de nós, ainda que sejam os nossos pais, nem sempre é possível.
    E olhe que já passei por isso.
    Menos julgamentos, mais empatia.

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    1. Atenção não estou a julgar ninguém, estou apenas a mostrar que há diferentes hipóteses, até porque tenho também várias pessoas da família que optaram por contratar uma pessoa para estar em casa a tomar conta do idoso. Certo é que pagar um lar não fica muito mais barato.

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  4. Antes demais, força para a esta sua nova fase de vida. Uma que todos nós sabemos que vai chegar e nunca estamos preparados. Força!

    Sua mãe tinha como reforma 700 euros... achei "bem bom". Não que é muito - porque não é. Mas tinha meus avós, se calhar um pouco perto da idade de vossa mãe, que tinham suas reformas a bater os 300 euros... Minha mãe, que trabalhou a vida inteira - tirando um período para cuidar da filha mais nova, ganha 700 euros de reforma. Parece que as coisas nunca são fáceis. Mas olhe, se tem uma casa própria, pobre não é. Quem tem um teto, tem uma segurança que eu, por exmeplo, não tenho. O resto, Deus ajuda... Deus e certas instituições. Comida sempre se arranja. Roupa então! Parece-me que, o que antigamente definia a pobreza hoje não é mais problema. Dinheiro para ter coisas, para pagar coisas que se têm de ter... Dinheiro... sempre o dinheiro. Mas casa, comida e roupa? Isso era a preocupação do pobre de antigamente. Agora compra-se roupa nova todos os meses, deitam-se fora peças em excelente estado... come-se de tudo um pouco e compra-se de tudo nos supers... O estilo de vida mudou muito. Mas passou a focar-se MAIS no DINHEIRO.
    Então agora não é mais: onde dormir, o que comer, o que vestir? É mais: onde ter dinheiro, onde ganhar mais dinheiro, onde arranjar emprego para ter dinheiro...

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    1. Estamos a falar de 700€ sendo que são 400 e pouco dela e o restante é metade da do meu pai que faleceu há já oito anos…e descontaram os dois toda a vida ela no campo ele era pedreiro.

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    2. Entendi. Obrigado por me ter escrito no blogue. Sim, meus avós era a mesma coisa. Já faz uns anos que se reformaram mas minha avó era pouco mais de 100 euros de reforma. Meu avô pouco mais de 300. Ambos a trabalhar desde crianças. Um dia, estava eu na segurança social e menciono que queria ter uma boa reforma porque meus avós, após uma vida inteira, só ganhavam 100 e tal euros. Ao que a senhora me responde: E GANHAM MUITO BEM! E lá me explicou porquê, mas não consigo me lembrar. Algo a ver com os anos de desconto... Porque, infelizmente, nem todos os patrões DESCONTAVAM para a SS. Minha avó só começou a descontar poucos anos antes de se reformar e foram os patrões dela que o sugeriram. Aquela geração foi criada a dinheiro ganho/dinheiro gasto. Era o pão para a boca. trabalhar para gastar. O poupar dinheiro não era um conceito. Reforma então, chegou depois. Mas ainda assim, é a geração que MAIS ADMIRO. Não se queixava por tudo e por nada e ia à luta. Conseguiu criar uma família NUMEROSA, passar por lutos de filhos, irmãos, pais, sogros e bons amigos com uma dignidade impressionante, tratar dos mortos eles mesmos e pagar CASA PRÓPRIA.
      Espero que voce e seu irmão conservem a casinha de vossa mãe, que parece tão bonitinha na foto! Mas se tiver de vender por questões financeiras, se calhar até é melhor. Eu arrendaria. Mas estou a falar de dinheiro numa altura que ainda temos tanto apego por cada cantinho! Eu ainda passo pela antiga casa de meus avós e fantasio o que seria se batesse à porta e pedisse para olhar. Só que aconteceu-me uma coisa antes do falecimento que eu não esqueço: fui fazer uma visita, toquei, bati à porta, como tinha chave, entrei. E quando o fiz senti que algo estava muito mal. Senti a casa SEM ALMA. VAZIA. Em menos de um mês, foi isso mesmo que aconteceu. Aquilo foi uma premonição, um aviso de que estava próximo. E tive TANTOS no próprio dia... tantos. Mas isso é outra história. Força. Um forte abraço e muita paz e serenidade na sua dor.

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Obrigada pelo comentário😗