E quando eu pensava estar tranquila no meu trabalho, até feliz no meu cantinho depois de alguma integração ligeiramente atribulada, o mulherio não é fácil, a sororidade não existe mesmo, heis que na minha segunda semana de férias fui contactada para uma entrevista de trabalho. Já tinha negado alguns mails e mensagens para entrevistas, mas desta vez foi um telefonema do dono de uma empresa de contabilidade para o qual eu tinha enviado um currículo há mais de dois anos. Primeira reação dizer que não, estou empregada, perto de casa, relativamente bem. Mas o senhor insistiu e o meu marido fez-me sinal de que deveria aceitar entrevista. Aceitei e fui no dia seguinte ao final do dia. O senhor gostou de mim, disse-o, não queria gente muito jovem, era para introdução de dados informáticos de contabilidade, formação de seis meses, mais qualquer coisa de dinheiro do que eu ganho, porque lhe disse quanto ganho.
Telefonaria na semana seguinte. Saí de lá a achar que jamais me iria ligar.
Pois que estava a trabalhar quase há uma semana quando se me toca o telefona e era o Senhor outra vez. Pois que tinha decidido que me queria lá a trabalhar. Ups, por esta é que eu não esperava. Disse-lhe que ia pensar um pouco e lhe daria a resposta. Fiquei baralhada, confesso, apreensiva sim. Que ponderei, ouvi o meu marido, mas fiquei mesmo pensativa. Não tenho raízes, posso mudar, mas achei melhor, achámos melhor porque eu decido tudo com o marido, pontos positivos, negativos. Resolvi falar com a minha chefe. Disse-me que eu já estava efetiva, pasme-se, mas que se eu resolvesse aceitar não me cortaria as pernas, não me criaria qualquer problema. Mas não aceitei e fiquei. Será que fiz bem? Nunca o saberei, mas que fiquei melhor, fiquei, que me senti bem, senti, que me valorizei, sim, gostei.
Estou ainda mais feliz!
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