terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Exausta...

É como me sinto hoje...agora, porque só agora parei...
Eu sei que posso parecer chata, mas só lê quem quer, eu preciso de escrever tudo o que me aconteceu nos últimos dias, para exorcizar tudo e ficar bem...
Ontem a meio do dia a minha mãe telefonou-me a dizer que o meu pai iria ter alta se as análises estivessem bem, fiquei contente, mas tinham-nos dito que iríamos aprender a administrar insulina...
Saí do trabalho às cinco horas e fui directo para o hospital, só cheguei às seis e meia, e lá estava o meu pai completamente fora de si, amarrado à cama, com algália, e dão-me um monte de papéis para eu assinar, para o trazer para casa. Fiquei em pânico, como é que eu ia trazer o meu pai para casa, neste estado. Pode deixá-lo durante a noite e vir buscá-lo amanhã para falar com a médica que já saiu, mas ele vai ter de sair do quarto e ficar no corredor...decidi trazê-lo, claro. Estava uma enfermeira à nossa espera no piso 2, aqui por baixo, disse o enfermeiro, é só chegar lá e entregar estes documentos. Chegadas, eu e mãe, ainda em estado choque, ao piso 2, ninguém sabia o que fazer, telefonemas para cá e para lá, afinal o hospital tem dois pisos e não era o debaixo, mas sim o do outro lado do hospital. Fomos lá. Ninguém sabia o que era. Começamos a chorar...as duas...voltámos ao piso do meu pai. Mal falávamos, diz a enfermeira desculpe o meu colega, ele é novo. Ligam-me do último sitio onde estivemos, afinal era naquele sitio, a enfermeira estava lá dentro à minha espera. Demos meia volta e voltámos lá. Fomos aprender a administrar insulina. Nove da noite. Montes de papéis na mão, como é que levo o pai, mãe não quis chamar os bombeiros, trouxemos uma cadeira de rodas e depois conseguimos levá-lo para o carro.
Chego a casa fui para a farmácia, montes de medicamentos, vejo a insulina e não vejo a dita caneta de administração, pergunto à farmacêutica, ah isso dão nas consultas, não lhe deram no hospital???
desesperada ligo para o hospital, para os enfermeiros, ninguém sabe de nada, que fazer? A farmacêutica tenta ajudar-me, de manhã dir-me-á.
O pai ficou bem em casa, cansado, mas bem.
Eu pouco dormi. Ás oito da manhã estava no hospital, a enfermeira dos diabetes era a mesma da noite anterior, não sabia se tinham ou não ou se davam as canetas...tem de esperar pelas nove horas que chegue a colega...Esperei. Claro que sim, não percebe como a outra não sabia que devia a ter dado.
Desculpo novamente, trago a caneta e vou para casa da mãe, para dar a insulina ao pai. Carrego a insulina na caneta e vejo as instruções, verifico que falta a agulha...ligo de imediato para o numero de telefone que gentilmente a enfermeira dos diabetes me deu, diz-me ela, então a médica não lhe passou a receita das agulhas? Nops.
Vou à farmácia, novamente, compro as agulhas que pareciam ser as correctas. Ligo para o hospital, falo com o secretariado, a menina diz-me que vai falar com a médica, aproveito para dizer que há um medicamento que está esgotado, será necessário trocar por outro. Certo, diz-me ela, já lhe ligo.
Vou para casa, dez e meia da manhã, finalmente damos a insulina ao meu pai. Liga-me a secretária do hospital, a Dr. pede desculpa, esqueceu-se de passar a receita das agulhas, mas se puder vir cá buscar dentro de uma hora, estão prontas, desculpo, mais uma vez e digo que por volta da onze e meia vou lá buscar.
Tive de ir falar com as enfermeiras dos cuidados continuados, para a assistência domiciliária por causa da algália e só me despachei ao meio dia e meia, chego ao hospital e as receitas não estão passadas, tem de esperar um pouco. Espero, quinze minutos depois, ainda sem receitas, questiono a secretária, que me responde afinal a médica está numa reunião, e não pode sair, para a senhora não vir cá outra vez, mando-lhe a receita por correio e telefono-lhe com o nome do medicamento de substituição. Passei-me completamente, entrei em paranóia total, explodi, bati com o pé e disse, não saio daqui sem as receitas, seja a que horas fôr. Ah mas a Drª não pode mesmo interromper a reunião. Continuei a bater o pé, não tenho de pagar nem mais um cêntimo pela ineficiência destas pessoas e disse não saio daqui. esperei mais dez minutos, nem tanto e aparece uma enfermeira, completamente afogueada com as ditas receitas, passadas por outra médica.
Tenho dúvidas que a médica ainda lá estivesse, quanto mais em reunião. Mas em vez de atenderem doentes, estão em reuniões?
Agora digam-me que isto que nos aconteceu não foi surreal?


desculpem o relato, mas ...





13 comentários:

  1. Uma vergonha!Este país está um NOJO!
    Não tens que pedir desculpa, mas gritar bem alto a tua indignação!
    Agora acalma-te, janta e descansa.

    Beijinhos e um abraço apertadinho.

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  2. Tenho acompanhado o internamento do teu pai Marina em silencio, tenho lido e percebo o teu cansaço e a tua saturação. Infelizmente funciona tudo muito mal, não tens que te desculpar, este espaço é teu. Eu desejo que tudo comece a acalmar e a entrar nos eixos, precisas descansar. Muitos beijinhos, coragem.
    Maggie

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  3. Muito surreal, e não tens que te desculpar, espero que desabafar aqui ajude.
    um beijinho
    Gábi

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  4. Muito surreal, e não tens que te desculpar, espero que desabafar aqui ajude.
    um beijinho
    Gábi

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  5. Mas que grande odisseia. Tudo surreal mesmo! Que daqui para a frente tudo corra pelo melhor!

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  6. Uff... canseira. Tudo a correr pelo melhhor.
    Bjs
    P.S. - Escreves o que queres e lê quem quer. Afinal, este é o teu cantinho

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  7. que seja um sitio onde possas desabafar....só deitar cá para fora a indignação já faz bem! Que tudo se encarreire. Um xi-coração.

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  8. Inacreditável :(
    Coragem e as melhoras.
    Beijinho

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  9. Entrei aqui por acaso (pelo desculpa :) por entrar sem ser convidada...)
    O título deste texto chamou-me a atenção, comecei a ler e só parei no fim.
    É de facto surreal, parece até história de ficção, passada num mundo subterrâneo.
    Um pormenor "interessante : para poder ter desconto nas seringas para insulina para um diabético precisa receita; se for um toxicodependente a dirigir-se à farmácia obtém as seringas de graça... e sem receita.
    Vivemos, de facto, num pais sui generis.

    Com votos de melhoras para seu pai, desejo coragem para enfrentar essa luta.

    Desejo também que o Novo Ano lhes traga dias muito felizes, junto de sua linda a família.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  10. Entrei aqui por acaso (pelo desculpa :) por entrar sem ser convidada...)
    O título deste texto chamou-me a atenção, comecei a ler e só parei no fim.
    É de facto surreal, parece até história de ficção, passada num mundo subterrâneo.
    Um pormenor "interessante : para poder ter desconto nas seringas para insulina para um diabético precisa receita; se for um toxicodependente a dirigir-se à farmácia obtém as seringas de graça... e sem receita.
    Vivemos, de facto, num pais sui generis.

    Com votos de melhoras para seu pai, desejo coragem para enfrentar essa luta.

    Desejo também que o Novo Ano lhes traga dias muito felizes, junto de sua linda a família.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  11. Assim explicado é quase inacreditável ! :(( ... Revoltante por muito pacientes que sejamos !

    Abraço e as melhoras do pai !
    :*

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  12. Como diria o outro: «só visto, pois contado ninguém acredita», mas até sabemos que é mesmo assim, infelizmente. Nem sempre as coisas decorrem como deveria ser.
    Espero que estejas melhor... desabafa sempre!
    As melhoras e tudo de bom.

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