terça-feira, 6 de agosto de 2013

Observação...

Minha Observação...(vale o que vale)

Não me considero velha, mas tenho 44 anos, e ao ler muitos blogues de mulheres entre os 27 e os trinta e cinco, fico um pouco desiludida, e começo a achar (não me crucifixem) que esta crise e austeridade veio na altura certa, falta valores a muita gente, não casam porque não têm dinheiro, não têm filhos porque não têm dinheiro, mas afinal o dinheiro é essencial? é, claro, sem sombra de dúvida. Mas voltemos há uns anos atrás, não é preciso ao tempo dos meus pais , basta há vinte anos, quando me casei. 
Quando me casei, não tinha tudo em casa, não tinha carro, andava a pé (quilómetros) e de transportes públicos e não os havia como agora, não comprava roupa todas as  semanas, nem sapatos todos os meses, não ia ao cinema todos os fins de semana, mas era feliz!
Quando casei não fui de lua de mel, férias só comecei a gozar já tinha o meu filho, mas era feliz e estava com o meu amor!
Hoje em dia o que me parece é que ninguém quer abdicar de nada, nem das roupas, dos sapatos, do cinema, das viagens, e daí não quererem sair de casa dos país, dá muito mais jeito, os mães continuam a fazer tudo em casa, claro que eu não quero voltar ao antigamente, gosto da evolução, mas eu consigo abdicar de coisas superfulas, e consigo valorizá-las, então a vida a dois com salários pequenos e estica daqui e dali, não é importante?
Não, hoje em dia ninguém, ou quase ninguém, tenta resolver problemas, e ao mínimo problema separam-se e vão para casa dos pais...
A falta de emprego é outra coisa...mas se os dois trabalharem, e alugarem uma casa, mesmo que não tenham tudo, a máquina do café, a torradeira, o aspirador, então não é possível?
Como é que eu sobrevivi? Aliás eu não tenho máquina de café...
Digam-me que estou errada, e que a vida vai parar para nós os pobres, da antiga classe média?
Ninguém mais vai casar? Ter filhos? Watever...



10 comentários:

  1. Não Marina... a vida não vai parar e é esse lado bom que por vezes têm as mudanças mesmo as dolorosas...fazem-nos descobrir ou redescobrir valores e forças...não a vida não vai parar...alíás é mesmo isso que dizes!!!
    Bjs
    maria

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  2. Marina, mas nem sempre é essa a razão...Faço muito em breve 35 anos e, por opção, ainda não casei e, por opção, ainda não tenho filhos...Se algum dia irei casar e ter filhos? Não sei. Hoje digo que não. É uma opção tão válida como qualquer outra... Como dizem os versos de Fernando Pessoa:
    "Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
    Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
    Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
    Assim, como sou, tenham paciência!"

    Mas eu compreendi o ponto de vista da Marina...Beijinho grande

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  3. Concordo 100 por cento com tudo o que dizes Marina. Na minha opinião, as pessoas tornaram-se muito mais egoístas e só olham para o seu umbigo.

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  4. Compreendo o teu ponto de vista, há muita gente "acomodada", mas deixo aqui outras realidades que conheço, como por exemplo jovens casais licenciados onde apenas um deles tem trabalho pago precáriamente e quase com 30 não conseguem pagar as suas contas juntos e contam por isso com os pais.
    Depois tens de pensar naqueles que não casam por opção e são felizes assim. E naqueles que casam e estão apenas a aguardar o momento da vida em que se sentem preparados para ter filhos. Mas também há jovens que nem colocam essa possibilidade. São tudo opções, apenas diferentes, mas que nem sempre significam nem falta de valores, nem comodismo, nem egoismo.


    jinhosssssss e um dia feliz ;)

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  5. Bem observado! :)

    Estou casado, vai fazer em Setembro, 31 anos (eu com 25 ela com 26).
    Nesse tempo, eu já trabalhava e a minha mulher também, e durante uns meses estivemos a 90 kms um do outro, e 15 em 15 dias (porque o dinheiro não chegava para tudo)eu ia ter com ela ou ela vinha ter comigo.

    Depois foi o regresso definitivo a casa e preparar a meta seguinte, "comprar" o nosso cantinho, com empréstimo bancário com juros a 31% (!!!!!!!!). Não havia tempos de carência, descontos, bonificações nem o "diabo a quatro", e foi pouco tempo depois da mudança para a casa nova que nasceu o nosso primeiro filho.

    Não tínhamos carro, e era de transporte público (o despertar era ás 5:45) que ia-mos levar o filhote ao infantário (onde entrou com 4 meses) e depois cada um de nós apanhava outro transporte para ir trabalhar, com horário de entrada ás 8:30.

    Ao final da tarde fazia o trajecto inverso.

    Carro? só passados 5 anos... um Fiat 127 em segunda mão :)

    A mobília em casa era mesmo só a cozinha e o quarto :)
    Na sala tinha mesa e cadeiras de campismo :) :) e um televisor a p/b do tempo de arroz quinze :))))))))

    Enfim, ficaria aqui imenso tempo a alongar a minha história, o que não será correcto de minha parte, pois é suposto isto ser um comentário e não um artigo de opinião :))))))por isso, e para finalizar devo colocar aqui a grande diferença do "nosso tempo" para os "tempos de hoje", que é (era) a EXISTÊNCIA DE TRABALHO, EMPREGO!

    Mudei de emprego sempre que surgia oportunidade, e sempre para melhor. Salvo uma excepção, mudei de emprego sempre porque alguém mostrava interesse em que eu fosse trabalhar para determinada empresa, isto é, raramente procurava emprego, as oportunidades é que apareciam.
    Não havia net, telemóveis, ipods, ifones, :))))))))))

    A verdade, minha amiga, é que na sociedade em que estamos, podemos ser muito optimistas, sempre com pensamento positivo e um sorriso na cara, MAS, se não existir "aquilo com que se compram os melões", como vamos alimentar os filhos? como pagamos a renda, água, luz e todo o resto necessário?

    Amor e uma cabana não chega :)

    Por isso compreendo (em parte) a opção (muitas vezes forçada) de os jovens não assumirem compromissos, pois como será possível tal, se não têm trabalho, e quando milagrosamente isso acontece são pagos, ou melhor, EXPLORADOS com vencimentos a 2 euros à hora!?

    Abdiquei e continuo a abdicar de MUITA coisa. Sempre disse que daria (dou)a minha vida se necessário fosse, por minha mulher ou meus filhos, mas como diz o Povo... isto não está para casamentos/compromissos.

    As minhas desculpas pelo extenso comentário.

    Tudo de bom.

    :)

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  6. Que bela reflexão. Concordo plenamente!

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  7. Percebo-te bem!
    Não preciso de muita coisa para ser feliz, preciso é de encontrar alguém especial. Isso ainda não aconteceu.

    Os sentimentos são mais importantes do que os bens de luxo.

    Beijinhos

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  8. Eu conheço quem tenha optado por um segundo filho precisamente por estar desempregada...claro que foi uma decisão a dois! :-))

    Abraço

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  9. Comodismo. É isso. Eu só tenho 32 e concordo plenamente contigo. Ah e 44 és velha? que disparate. beijinhos

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