quarta-feira, 22 de novembro de 2017

E foi hoje...

Que fui à verificação de incapacidade temporária, vulgarmente chamada de Junta Médica. Cheguei de minutos antes da hora marcada, perguntei ao guichet onde esperava, pediram-me o nome e riscaram numa folha com um marcador, disseram-me para me sentar na sala ao lado e esperar que me chamassem. A primeira pessoa a ser chamada foi ás 14.34, eu tinha marcada a hora de 14. 20, entrei ás 14.50. Tudo bem, entrei numa sala onde estavam dois médicos (presumo), um homem e uma mulher de mais ou mesmos 65 anos, que me disseram boa tarde e me indicaram uma cadeira para me sentar. Sentei-me em frente ao homem que olhou para mim e me perguntou olhando-me directamente nos olhos "Qual é a sua profissão?" Imediatamente, antes ainda de conseguir respirar as lágrimas saltaram-me dos olhos em catadupa, respondo que neste momento nem eu sei a minha profissão, durante mais de 20 anos fui Administrativa até a empresa entrar em insolvência e até o meu cérebro ficar de rastos, depois trabalhei seis meses numa fábrica e agora trabalho num call center a fazer vendas. 2ª pergunta do Sr. "E pagavam-lhe na empresa? " 100, 150€, ficou lá muito dinheiro. 3ª pergunta " e no call center tem de fazer vendas" sim tenho de fazer vendas. Ao mesmo tempo em que foram feitas estas perguntas tiro da mala as duas cartas que levava,  o relatório da medica de família e o relatório da Psicóloga , o da médica de família abriu o envelope, deu à colega que o agrafou a uma outra folha, o da Psicóloga devolveu-me e disse "este não é necessário" imprimiu três folhas, assinou-as e deu-me uma para eu assinar, perguntei o que vou assinar? Resposta dele " uma declaração em como cá esteve e como não está apta para trabalhar, pode continuar de baixa". E é só? "sim, boa tarde.
Acho que este médico viu a minha alma, percebeu precisamente as saudades, o gosto que eu tinha em ser administrativa e a falta que me faz aquele trabalho útil que eu tanto adorava. E o que eu sofro por o ter perdido, e por tudo o que tenho sofrido depois disso. Preciso demais uns dias em casa, acho que nunca mais vou ser a trabalhadora que fui. Mas vou melhorar, vou pois!
A seguir demos uma voltinha, tomámos um café, comemos um pastel de feijão e fomos ver mo mar!















Acabámos a jantar no Arena shopping, que tem esta cidade de Natal tão linda!
Agora estou bem, amanhã vou à médica de família!
Obrigada a quem se preocupou comigo hoje, mesmo!

4 comentários:

  1. Força, Marina. Li este seu texto atentamente e pensei de imediato que este é, infelizmente, o retrato actua deste nosso país, pessoas que se encontram deprimidas porque a vida que outrora conheceram, viveram, muito provavelmente já não volta mais. No entanto a esperança de novos dias também pode ajudar, podem não ser iguais ao passado, mas o futuro por vezes reserva outros caminhos que, embora diferentes, podem também ser positivos. Tem família, marido, filho, família, amigos, um historial de vida, isso também é uma grande riqueza, acredite.

    Para a frente é que é o caminho, o que deve tentar, se me permite dizer (escrever) isto, são pensamentos negativos, penso que só atraem mais situações negativas :)

    ResponderEliminar
  2. Maria Madeira e eu tenho tentado, há cinco anos que saí da empresa, mas infelizmente sempre que a vida me troca as voltas e algumas contrariedades me acontecem, eu vou abaixo, não por ser fraca, não por não tentar, mas porque acontece, claro que tenho os tais pensamentos positivos, tenho muita coisa muito boa, mas se ler algo sobre depressão, ansiedade vai ler que por mais que nos esforçamos nem sempre levamos a melhor, é um trabalho continuo com fases boas e menos boas, mas obrigada pelo apoio!

    ResponderEliminar
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  4. Eu percebo-te Marina, imagino a tua dor. Não tem sido fácil mas um dia vai ficar melhor, temos de acreditar que sim. Claro que tens coisas boas, mal seria se não tivesses coisas boas na tua vida mas isso não chega, isso é só teoria. A vida na prática, no dia a dia, à noite quando deitamos a cabeça na almofada é que as lágrimas correm e a dor está lá.
    Desejo-te tudo de bom Querida, e força muita força.
    Um beijinho

    Margarida

    ResponderEliminar