sábado, 12 de novembro de 2016

Etapa 7 (A ÚLTIMA) - Padron a SANTIAGO DE COMPOSTELA

Combinámos que sairíamos às sete horas, para isso era necessário levantar às seis, assim foi, comemos e saímos, as minhas companheiras partiram de imediato à frente, sem olhar para trás...
Fiz as primeiras horas em silêncio, rezei, falei sozinha, senti mais que nunca a minha fé, na vida, em Jesus, e sobretudo em mim própria.
Duas horas depois do pequeno almoço, parámos num café onde já estavam as minhas ex-companheiras de viagem, que estranharam eu já ali estar, que estava a andar muito bem...pois...foram novamente embora e eu fiquei para trás novamente...


 Companheiro de alguns km neste dia, um joelho com problemas...e bolhas num pé...
Veio do Canadá...


 Maravilhosa a partilha com quem nos cruzámos...




FOI ASSIM QUE FIZ ESTE CAMINHO...SÓ


Santuário de N. Senhora de la Esclavitud sec.XVIII
Aqui tive uma pequena chatice com o meu guia, eu propus visitar a igreja e ele disse que era melhor não porque estávamos atrasados, não aguentei...atrasados? estávamos dentro do horário estabelecido, num passeio que era controlado pelas nossas pernas, efectivamente a minha  ideia de uma viagem em grupo não era esta, mas agora era eu que mandava e sim eu ia entrar na igreja.











E ainda bem que o fiz, o guia acabou por combinar com o Sr. responsável pela abertura da mesma, nas próximas viagens, nós os dois tivemos uma conversa onde lhe mostrei que eles é que estavam errados em não me acompanhar, e ele como guia claro que teria de o fazer e nem sequer ter permitido que as outras pessoas nos abandonassem, para mim, penso nunca mais o fazer em grupo, mas é a minha maneira de ser, se fosse ao contrário eu ficaria com a pessoa que estava para trás...éramos um grupo e era assim que chegaríamos a Santiago.






Resolvi fazer as paragens que achei necessitar, e aqui em Milladoiro a pouco mais de três quilómetros de Santiago de Compostela, achámos os dois que, embora não estivesse no plano almoçar pelo caminho, o melhor seria almoçarmos, foi o que fizemos.
E aqui aconteceu-me uma coisa muito bonita, há dois dias atrás falei muito de Jesus, e nas minhas crenças, na minha fé...e quando vem a coca-cola, diz o Quirino, já viste o que diz a tua lata?
Fiquei pasmada...
 O nosso amigo, que aqui estava à espera dos companheiros, como estava mal, saiu uma hora mais cedo do hotel para poder esperar a pouca distância de Santiago e irem todos juntos nessa ultima etapa...foi grande parte deste caminho connosco...



Estava feliz por estar a conseguir e quase, quase no tempo previsto!







E neste momento, chorei tanto, tanto de emoção...
telefonei ao meu marido, mandei mensagem ao meu filho e ás minhas colegas de trabalho, nomeadamente à Maria da Cruz que todos os dias me mandava uma mensagem de manhã e à noite
a dar força e a motivar-me com carinho.
Mal recebe a mensagem, telefonam-me todas a gritar e eu a chorar...
Nunca vos irei conseguir descrever a sensação, os sentimentos que se apoderaram de mim neste momento, foi algo que jamais tinha experimentado, único...




Afinal as nossas companheiras de viagem, tinham chegado tomado banho e ainda não tinham almoçado...pois, nós já...afinal o tempo de viagem destes 28 km seriam 7 horas, nós parámos para almoçar, visitámos a igreja, parámos em cafés...demorámos 8, 5 horas...às três e meia chagámos ao nosso destino...


Depois da emoção, fomos ao Hostel tomar um banho deixar as coisas e voltámos com os nossos passaportes para irmos buscar os nossos diplomas de peregrinos!
Mas antes, deitei-me na praça, ao pé de tantos outros peregrinos a sentir todas as emoções que por mim passaram ao longo destes dias, as boas, as más...







No gabinete de apoio ao Peregrino perguntei por alguém que me pudesse ver os meus pés, há tudo neste apoio menos enfermeiros ou médicos...há uma agência que vende bilhetes de comboios, há uma estação de correios, mas serviços de saúde não...em troca, a senhora que me atendeu deu-me um forte abraço pela minha força, pela minha não desistência.
Depois de ter tentado ir ao centro de saúde, sem sucesso porque estava fechado, resolvi esquecer os pés e sentar-me a ver o mundo à minha volta, muitas das pessoas com quem me cruzei nesta viagem, todas as nacionalidades, a determinada altura a Ana Luisa contou as e chegou ao total de 14, desde a Austrália, um casal muito simpático, até à Tasmânia passando pela Letónia e Lituania. Aqui estive à conversa com um Alemão da Bavaria (Baviera) e um Polaco com quem nos cruzamos diariamente, depois fomos todos à missa do Peregrino eram 19,30 horas.




A missa foi maravilhosa, com "Botafumeiro" , um dos maiores símbolos da Catedral de Santiago, o batafumeiro é um enorme incensário ( +- 53 quilos) de latão banhado a prata que com a ajuda de oito homens, oito"tiraboleiros" que o "atiram" para o interior da catedral, atingindo uma velocidade de 
 68 km/hora suspenso a 20 metros de altura. Verdadeiramente maravilhoso, fiz um filme, mas sem querer durante o jantar apaguei-o...
Depois fomos todos jantar e convidámos outro companheiro do caminho, com quem fizemos amizade , de Viena de Áustria.


O Quirino fez a surpresa de nos oferecer a todas um pin,
 que todas queríamos comprar, e nós pagámos-lhe o jantar...



Franz Kofler


Casa Manolo
O Quirino (guia) convidou-nos para ir a um bar beber uma bebida tipica de Santiago, uma queimada,mas não havia lugar para sentar teriamos de esperar mesa, eu não quis esperar fui para o Hostel, descansar!







Muito bom este albergue!
No dia seguinte seria dia de regresso a casa!

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