sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Etapa 6 - Caldas de Reis a Padron

Na noite anterior o senhor da recepção do Hotel aconselhou-nos a ir ao antigo tanque das lavadeiras molhar os pés nas águas termais, que me ia fazer bem à bolhas dos pés, que bastariam dez minutos na água. Então bem cedo tomámos o pequeno almoço no hotel e fomos procurar o tal Tanque e fomos pôr os pés naquela água quentinha, com esperança de ficar bem melhor...eu tinha os pés numa lástima...

Depois enchi os pés de pensos e lá fomos nós!!!
Foi um dia em que andei sempre um pouco atrás das minhas companheiras, ou elas sempre à frente, até porque tinha bolhas era eu...
Elas encontraram primeiro este sr. com a sua égua e boa disposição, o grupo de Espanhóis que cantavam em coro, e que já há vários anos fazem este caminho, eram do mais animado possível!


As paisagens, sempre do melhor!

Ao passarmos nesta rua, ouvimos chamar-nos, era um Professor de uma escola que nos convidou a entrar para nos falar desta sua escola...abanando uma bandeira de Portugal quando percebeu que éramos Portugueses...

Este Professor criou um projecto, que se chama "UNA VENTANA ABIERTA  AL MUNDO" 
É uma pré escola, em que ele convida diariamente os peregrinos que ali passam, a entrar na sua sala de aula e a cantar ou contar uma história na nossa língua original para todas as crianças, a falarmos um pouco com as crianças, tem as paredes cheias da frase "BOM CAMINHO" em todas as línguas que por ali passaram. No final, as crianças carinhosamente oferecem-nos uma concha de peregrino com fio, para levarmos no resto da nossa viagem e para o resto das nossas vidas, no que a mim me diz respeito. De entre nós ia uma excelente contadora de histórias, que apesar da nossa insistência não quis contar uma história às crianças, mas decidiu cantar uma canção. Foi um momento muito bonito. 




Eu chorei nesta escola, o momento em que os meninos nos esticam as mãozinhas e dizem
 "this is for you" comoveu-me imenso!

Este professor, ainda nos presenteou com a sua própria história, claro, duas peregrinas da Letónia visitaram a escola, há algum tempo atrás, encontrou-se com elas em Pontevedra, à noite para uma bebida, ficaram amigos, no ano seguinte uma das amigas casou e convidou-o para o casamento, ele foi e voltaram a encontrar-se todos, mais tarde ele pediu a outra amiga em casamento, e hoje tem um filho lindo com três meses, o Hugo. Tudo isto nos foi mostrado em fotos, foi uma história linda!!!
Claro, chorei...eu sou uma chorona!
















Estava a ser tão dificil...as dores dos pés...








O Hotel era tão longe do centro da cidade, que eu já mal me arrastava, percebi depois que os pensos que tinha colocado nos pés, tinham todos saído, logo as bolhas estavam em contacto directo com os sapatos, daí o sofrimento...
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Disse que não iria jantar a pé até ao centro da cidade, era mais ou menos 1, 5 km, então juntámo-nos e chamámos um táxi...o Sr. deu-me um cartão para que na volta lhe telefonasse...assim o fiz.







Durante o jantar, todos me sugeriram desistir, mas eu teimei e pedi compreensão, não queria fazer, mas aqui senti-me muito mal, como se me acusassem que eu estava a errar, pois devi saber desistir.
Pareceu-me que se queixavam que os estaria a prejudicar, não gostei, num grupo, isto não deve acontecer, então sugeriram no dia seguinte, o último dia, irem à frente sem esperar por mim, com a desculpa que eu iria chegar tarde, e que queriam chegar mais cedo para passearem por Santiago, até porque a Anick, sairia muito cedo no dia seguinte para apanhar um avião para Lisboa, pois tinha os filhos que vinham de França à sua espera. Quem seria eu para as contrariar, tudo de acordo com o guia que, claro, disse que me iria acompanhar até eu chegar, fosse a que horas fosse...




Usei diariamente estes pensos, no dia anterior, usei outra marca que não prestou, e saíram do sitio, não fazendo aquilo que estes fazem, uma espécie de almofada em gel por cima da bolha.
Senti-me muito triste porque num pequeno grupo, ninguém proteje ninguém, ninguém ajuda ninguém, e a união não existe.
Mas eu não iria desistir, chegaria a Santiago no dia previsto, agora se fazia os 28 km necessários em 7 horas ou em mais, logo se veria, eu paguei esta viagem, ninguém me obrigaria a desistir...nem a ir de combóio como me sugeriram, e até me disseram que seria uma acto de inteligência desistir...
Mas eu estava a prejudicar alguém? Só a mim própria. Chamem-me burra, porque o sou...
Triste, muito triste...
Talvez este tenha sido o maior ensinamento de todo o caminho, aprende Marina

2 comentários:

  1. Lamento o seu sofrimento e respeito as suas ideias,mas é por esse egoísmo e falta de solidariedade que nunca fiz este "caminho",já lá fui , mas individualmente!!Ir contrariada e vendo que me estavam a descartar, não é para mim!!Espero que esteja melhor e obrigada pelas fotos, estão lindas!!

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  2. Marina, tu és uma mulher de força e convicções fortes. Os outros do grupo? Bem, não sei que diga, pois no meu entender, esse caminho, assim como tantos outros, são uma caminhada conjunta de crescimento e aprendizagem e isso que te fizeram sentir, não se faz. Mas sendo tu como és, irás e conseguiste tirar daí uma lição positiva para a tua vida.
    Admiro-te e invejo-te um pouco, pois também eu gostava, um dia, de ter a coragem de fazer esse caminho.
    Beijinhos

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