terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Estou cansado, é claro,
Porque a certa altura, a gente tem que estar cansado
De que estou cansado não sei.
De nada me serviria sabê-lo
Pois o cansaço ficaria na mesma,
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto -
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma tranquilidade lúcida
Do entendimento retrospectivo...

E a luxúria muda de não ter já esperanças?

Sou inteligente: eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para alguma coisa.

Fernando Pessoa

4 comentários:

  1. que poema lindo.. não conhecia..

    olha em relação ao selo basta ires "roubar" a imagem lá ao blog e seguires as regras.. é muito fácil :)

    kisses***

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  2. Este Pessoa todos os dias me toca de uma forma diferente.

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